Clube carioca já teve dois "projetos" no futebol local
Arte: Danilo Queiroz/Distrito do Esporte

Com torcidas gigantescas em todo o território nacional, os grandes clubes do futebol brasileiro se acostumaram ao surgimento de "cópias" de suas marcas por todo o país. O Flamengo, por exemplo, serviu de inspiração para o surgimento de mais de 70 equipes ao redor do país. Também com grande projeção, o Corinthians paulista também já teve xarás em diversos estados, como no Paraná e Alagoas (Corinthians Paranaense e Alagoano).

Entretanto, nenhum deles teve relação tão próxima com um estado como o Botafogo teve com o Distrito Federal. Assim como rubro-negro carioca, o alvinegro tem mais de 70 "versões" pelo Brasil. Porém, as duas tentativas de criações de filiais em terras candangas tiveram envolvimento direto da estrela solitária do Rio de Janeiro, que fechou parceria com dois clubes do futebol local para tentar fortalecer as marcas e garimpar jogadores.

Ao todo, foram duas tentativas de criar homônimos na capital federal. A primeira ocorreu em 1996 e a segunda foi executada em 2009. Além do nome e das características do time carioca, como cores e escudos, os dois projetos têm em comum um ponto bastante curioso: oficialmente, nenhum deles durou mais de um ano. A última tentativa, inclusive, ganhou contornos de novela e quase foi parar na justiça após acusações de quebra de contrato.

1996 - Botafogo Sobradinho


A primeira aproximação do Glorioso com o futebol candango aconteceu na temporada de 1996, um ano depois do clube carioca se sagrar bicampeão brasileiro. No período, o clube passou a se chamar Botafogo Sobradinho Esporte Clube. Todo o projeto de troca de identidade do Leão da Serra foi capitaneado pelo advogado Délio Cardoso em parceria com Carlos Augusto Montenegro, então presidente do Botafogo.

"Concluímos que Brasília é jovem e não tem uma cultura própria de futebol", afirmava Cardoso. "A vantagem é que podemos manter em atividade todos os jogadores do elenco, dar oportunidade aos que estão saindo dos juniores e ainda podemos garimpar novos talentos", dizia Montenegro ao comentar o projeto. Artilheiro do Candangão 1996, o atacante Dimba foi um dos nomes alçados ao alvinegro do Rio de Janeiro.

No primeiro ano, as médias de público cresceram e o clube teve bom desempenho. Porém, na temporada seguinte, a equipe de Brasília perdeu o potencial de atrair torcedores. Além disso, o Sobradinho começou a perder adeptos antigos, que passaram a não se identificar mais com o Leão da Serra. Com isso, a parceria entre os alvinegros durou apenas um ano, com a equipe retomando sua denominação original já em 1997.

2009 - Botafogo-DF


Na comemoração do seu quinto ano de fundação, o Esportivo Guará anunciou parceria com o Botafogo de Futebol e Regatas e passou a adotar a nomenclatura, o escudo, as cores e o uniforme da equipe do Rio de Janeiro. A ideia tinha basicamente o mesmo princípio: servir como base para a revelação de atletas que poderiam ser posteriormente contratados pelo alvinegro carioca, enquanto a filial local receberia atletas sem espaço no Fogão.

Para fortalecer a marca, o Botafogo-DF contratou o atacante Túlio Maravilha, ídolo do time carioca e, na época, em busca do milésimo gol na carreira. O jogador ainda é o maior artilheiro da franquia candanga com 44 gols. Assim como na parceria com o Sobradinho, o acordo foi encerrado com pouco menos de um ano. De acordo com o clube carioca, o rompimento aconteceu porque o clube candango não estava cumprindo alguns acordos

Então presidente do Botafogo do Rio, Maurício Assunção explicou que a clausula não cumprida era sobre a exposição de um patrocinador e ameaçou, inclusive, entrar na Justiça contra a filial de Brasília. Apesar do imbróglio o clube candango continuou utilizando o nome Botafogo, mas fez alterações em seu escudo, incluindo a sigla DF e inserindo o amarelo no contorno da marca e da estrela solitária que fica no centro.