Reforço do Luziânia, Bruno Oliveira relembra carreira e anuncia aposentadoria após o Candangão

Antes de chegar ao Azulino, lateral vestiu a camisa da URT (MG)
Foto: Arquivo Pessoal/Bruno Oliveira

Por Danilo Queiroz

Para quem vê de fora, o futebol é um sonho que é trilhado por poucos. Sucesso, fama e dinheiro ficam no imaginário de quem busca se profissionalizar no esporte mais popular do planeta. Entretanto, as dificuldades enfrentadas pela maior parte dos atletas acabam, muitas vezes, minando a vontade de estar em campo. Com esse sentimento, o lateral Bruno Oliveira, recém-acertado com o Luziânia, decidiu se aposentar logo após a disputa do Campeonato Candango.

Aos 28 anos de idade e há 12 atuando profissionalmente, os percalços no caminho do jogador nascido na Ceilândia foram vários. Diversos problemas como atrasos salariais e a distância da família acabaram pesando na decisão de encerrar a carreira mesmo estando novo para a prática do esporte. A vontade de passar mais tempo ao lado do filho de 1 ano e quatro meses e da família também teve influência primordial na decisão do atleta de abandonar os gramados.

"Vou completar 29 anos em 2019 e estou novo, mas outra coisa que me motivou muito a tomar essa decisão foi o mercado do futebol, que está muito esquisito. Não depende mais só da sua qualidade para alçar voos maiores. Tenho alguns exemplos de situações que presenciei, de jogador de empresário... Acabou que fiquei um pouco calejado de ficar viajando e ficar longe da família. Meu último clube foi a URT. Recebi outras propostas, mas por opção resolvi não ir", revelou.

Bruno lembra ainda as incontáveis vezes que precisou buscar a Justiça para cobrar os valores que deixou de receber. "Em todos os clubes que passei nos últimos cinco anos ficaram salários para trás. Ganhei todas as causas. Isso vai pesando, porque fica dez de um lado, dez de outro... Tive uma experiência na URT que os comentários era que a equipe pagava certinho, mas acabou ficando quase R$ 12 mil para trás. Isso é uma dor de cabeça. O básico do trabalhador é receber", frisou.

A falta de compromisso das equipes fez com que Bruno precisasse recorrer a outra forma para ganhar dinheiro. "Depois que você é pai tem que tomar certas atitudes e não pode esperar as coisas caírem do céu. Devido a esse problema, pela primeira vez eu voltei a trabalhar e virei Uber. Se não correr atrás é dolorido. Recebi proposta para jogar a Segunda Divisão aqui em Brasília. Não aceitei por ter ficado sem receber antes. Estava um pouco desgostoso de bola", alegou.

Além das questões familiares, um outro motivo nobre também pesou na decisão de Bruno. Quando parar, ele vai focar em um projeto social que participa junto com o meio-campo Maninho em Ceilândia. "Recebi o convite dessa lenda viva do esporte de Brasília e resolvi ajudá-lo. São mais de 240 crianças e eu adoro dar aulas. Quando você entra em um projeto assim passa a ver as histórias de quem está lá, cada anseio e desejo", contou o lateral, que está prestes a se formar em Educação Física.

Apesar de estar encerrando a carreira com pouca idade, Bruno Oliveira enfatiza a palavra gratidão para definir tudo o que viveu e ganhou com o futebol. "Fui nascido e criado na Ceilândia. Sempre fui bem determinado a vencer na vida, tanto que de toda a galera que jogava comigo o único que se profissionalizou fui eu. Sou grato por ter conhecido outros estados, atuado com certos jogadores, conhecido outras culturas, isso foi o futebol que me proporcionou", apontou.

Lateral usa a palavra gratidão para explicar os sonhos que viveu como jogador profissional
Foto: Arquivo Pessoal/Bruno Oliveira

Carreira e volta ao Luziânia


Distrito Federal, São Paulo, Alagoas, Minas Gerais, Pará, Acre, Bahia, Mato Grosso do Sul, Goiás e outros... não foram poucos os cantos do Brasil que Bruno Oliveira teve a oportunidade de conhecer como jogador profissional de futebol. Além das camisas representadas em território nacional, o lateral ainda teve a oportunidade de atuar em outros dois países. Em 2010, se aventurou em Portugal. Dois anos depois, se transferiu para o futebol mexicano.

As alegrias foram várias. Dentre as mais marcantes, o lateral frisa os acessos alcançados com as camisas de Primavera (SP), Rio Verde (GO), Bolamense e Formosa. Nos dois clubes do futebol do Distrito Federal, a vaga na elite veio acompanhada de título. Em 2013, Bruno levantou a taça da Segundinha vestindo a camisa do Tsunami. Quatro anos mais tarde, em 2017, o lateral repetiu a dose na equipe afro-brasileira.

Bruno Oliveira também conquistou troféus de copas estaduais representando as cores de União Rondonópolis (MT) e Vitória da Conquista (BA), onde foi ainda vice-campeão baiano. "Encerrando a carreira ano que vem, depois do Candangão pelo Luziânia, eu vou ser um cara feliz pelo o que vivi e pelos lugares onde passei. Eu poderia estar em uma situação financeira melhor, mas tem esse problema de ir para os clubes e não receber", seguiu.

Outro clube que Bruno Oliveira leva com carinho é o CSA, que acabou de conseguir uma vaga para a primeira divisão depois de três acessos seguidos, saindo da Série D, em 2016, até alcançar um lugar na elite nacional para a próxima temporada. Em 2012, o lateral vestiu a camisa do Azulão. "No último fim de semana, o CSA subiu para a primeira divisão e eu tive o prazer de jogar lá quando eles ainda estavam na Série D. Esse tipo de coisa me faz pensar que valeu a pena", destacou.

Bruno Oliveira vestiu a camisa do CSA, que chegou à Série A no último sábado
Foto: Arquivo Pessoal/Bruno Oliveira

Já a opção por voltar para o Luziânia para encerrar a carreira se deu pelo fato de já conhecer as boas práticas adotadas no clube. Para encerrar em alta, Bruno espera poder levantar a taça do Candangão em abril. "Os caras são muito corretos. O presidente Fábio Silva entrou em contato comigo e eu decidi vir para próximo de casa. Dá para eu ver meu filho todo dia. A minha expectativa é muito boa. Já conheço alguns atletas que acertaram lá", continou.

O menino da Ceilândia saiu da cidade onde nasceu na tentativa de realizar seu sonho de bola. Agora, realizado, volta ao futebol do Distrito Federal para encerrar uma história de 12 anos como profissional, findada precocemente por um dos motivos mais nobres existentes: o desejo de ficar mais próximo da família, que terá mais quatro meses para ver Bruno Oliveira desfilar seu futebol nos gramados com a camisa do Azulino goiano e escrever as últimas linhas de sua história em campo.

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