Treino reuniu as equipes J.L. Queiroz e Nova Vida
Foto: Jack Taketsugu/Aisatsu - Fotografia Esportiva

Por Karine Santos

De segunda a sexta-feira, José Luiz de Queiroz, faixa preta de Jiu-Jitsu, comanda há mais de 20 anos os treinos da Equipe J.L. Queiroz, que tem como sede principal a Universidade Católica de Brasília (UCB). Na última semana, ele e alguns de seus alunos foram até Ceilândia fazer um treino com a Equipe Nova Vida, liderada por Luciano Silva. No encontro, as equipes puderam compartilhar Jiu-Jitsu, conhecimento e histórias de vida.

O treino começou com Luciano e José Luiz falando das suas trajetórias e em seguida foi feita uma oração. Segundo Luciano, um dos objetivos da equipe, que tem como sede um espaço da Igreja Nova Vida, é levar a palavra de Deus através do esporte. Logo depois, José Luiz começou a puxar o treino e pediu para que cada atleta desse preferência de fazer os exercícios com alguém que não fosse da sua equipe.

“Esse intercâmbio é bom porque traz outra visão do Jiu-Jitsu. Você troca informações, conhecimento e todo mundo aprende, todo mundo ganha com isso. Eu percebi que eles têm uma visão que é um pouco diferente da minha, então ajuda acrescentar. Um treino é pouco, mas eles perceberam que tem outros trabalhos. Esses treinos são válidos para gente e para o esporte", avaliou José Luiz.

No encontro, as equipes puderam compartilhar Jiu-Jitsu, conhecimento e histórias de vida
Foto: Jack Taketsugu/Aisatsu - Fotografia Esportiva

Magno Tavares, faixa roxa da Equipe J.L. Queiroz considerou a experiência positiva. “Treinamos com pessoas que tem um jogo de Jiu-Jitsu diferente e eles também puderam treinar com pessoas que tem uma linha de treinamento diferente, foi muito produtivo e benéfico para todo mundo que participou. É uma experiência que não seria adquirida de outra forma. Espero que possamos ter outras experiências desse tipo para continuar enriquecendo nosso Jiu Jitsu”, completou.

Pai de oito filhos, Luciano Franco Vilar, de 41 anos, depois de ficar muitos anos sem treinar voltou para o Jiu-Jitsu e trouxe com ele toda a família. Ele, sua esposa e todos os filhos treinam na Equipe Nova Vida. Luciana Mancinelle disputou 15 campeonatos de Jiu-Jitsu em nove meses e em todos obteve bom resultado. “Gostei muito do treino de hoje, foi muito abençoado”, avaliou Franco.

De geração em geração


Antes de montar sua própria equipe, Luciano Silva teve como um de seus professores o próprio José Luiz. “Ele treinou com a gente por mais de três anos, absorveu um pouco do trabalho que a gente faz, mas tem o trabalho dele que é feito da forma dele. Ele está com um grupo grande de crianças e adolescentes, se ele souber usar do Jiu-Jitsu pode desenvolver um bom trabalho, ajudar tanto na formação da personalidade, como na formação motora das crianças. Se você faz um bom trabalho no Jiu-Jitsu, tem muito a acrescentar”, afirmou José.

Luciano treinou com outros nomes do Jiu-Jitsu e depois de aprimorar suas técnicas com o José Luiz, passou a treinar no Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). “Aprendi muito com ele, peguei a faixa roxa com ele, depois fui treinar no batalhão da polícia militar. Fiquei lá por 17 anos e depois por algumas divergências decidi montar minha equipe”, conta.

Jiu Jitsu como arma social


A história das duas equipes se assemelham em outro ponto. Ambas são projetos sociais e buscam além de formar atletas, formar cidadãos. “Aqui é um projeto social da Igreja Nova Vida. A equipe é federada pela Confederação Brasileira de Jiu Jitsu (CBJJ). Comecei com cinco atletas, hoje tenho mais de 120 atletas, 97% comunidade e 3% da igreja. Hoje as coisas mudaram. Antigamente o Jiu-Jitsu estava sendo mais de equipe, hoje ele está sendo mais de família”, afirmou Luciano.

No encontro, as equipes puderam compartilhar Jiu-Jitsu, conhecimento e histórias de vida
Foto: Jack Taketsugu/Aisatsu - Fotografia Esportiva

José Luiz destaca a preocupação com a formação cidadã que projetos sociais devem ter. “O projeto social serve para contribuir num bem comum na sociedade, muitas vezes falam que algo é projeto social, mas não estão trazendo uma parte importante que é a parte da formação para as pessoas. O Luciano está preocupado com isso, como a gente. O dele é ligado a igreja, o nosso é ligado à universidade. No nosso caso buscamos a questão da formação, mas também numa visão mais acadêmica”.

Mestre em Educação Física, José Luiz de Queiróz é Faixa Preta 5° Grau de Jiu-Jitsu. Teve como um de seus professores, o Mestre Armando Wriedt, um dos únicos sete alunos a receber a faixa vermelha do Mestre Hélio Gracie, criador do Jiu-Jitsu Brasileiro. Luciano Silva tem 44 anos, é Policial Militar, tem oito anos de faixa preta e quase 21 anos de Jiu-Jitsu. Além do José Luiz, já treinou com vários nomes conhecidos do Jiu-Jitsu Brasiliense.