Conheça o Brasília Selvagens, time do DF que acumula conquistas no Flag Football

Através dos bons resultados, a equipe busca difundir o esporte no DF
Foto: Divulgação/Brasília Selvagens

Por Danilo Queiroz

Uma bola, duas fitas - ou flags - presas na cintura e o objetivo maior: o touchdown. Variação do futebol americano, o Flag Football está ocupando cada vez mais espaço no Distrito Federal. A categoria feminina, inclusive, é a de maior visibilidade no momento. Representando a capital federal em torneios nacionais do esporte, o Brasília Selvagens acumula bons resultados e busca mais visibilidade para disseminar ainda mais a modalidade em terras candangas.

Fundado em 2017, o Brasília Selvagens é o único time feminino do esporte em Brasília. Apesar do pouco tempo de criação, muitas meninas que compõe a equipe já praticam a modalidade há mais de quatro anos em uma outra agremiação da cidade. Explicando que o Flag Football não era visto como prioridade, elas explicam que decidiram criar uma equipe própria no estilo "girl power". Quase dois anos depois, os resultados mostram que a aposta deu muito certo.

Jogando Flag há cerca de um ano, a Center e Wide-Receiver Jéssica Fernandes, de 25 anos, se aproximou do esporte da forma que acontece com a maioria das meninas que jogam: através de uma amiga. "Ela também joga pelo Selvagens. Tive o primeiro contato com o esporte em um acampamento. Me interessei bastante e fui chamada para fazer a seletiva do time. Eu nunca tinha visto ou ouvido falar da modalidade, mas foi amor à primeira vista", explicou a atleta.

Maísa Alves fez parte da seleção brasileira da modalidade recentemente
Foto: Natasha Guimarães/Fotografia011

Há mais tempo no esporte (pouco mais de quatro anos), a Wide-Receiver e Center  Maísa Alves, de 24 anos, participou recentemente de seletivas para a seleção brasileira da modalidade. "Uma amiga me chamou para assistir um jogo dela. Chegando lá, o time dela venceu e ela fez vários pontos bonitos. Julguei isso como bonito pela reação da platéia e do pessoal do time e a sensação que eu tive foi 'preciso jogar esse esporte!'", lembrou.

Também parte do selecionado brasileiro de Flag Football, a Quarterback Karolyne Santos também já está há bastante tempo no esporte. Com cerca de cinco anos de prática, ela conheceu a modalidade atráves na Universidade de Brasília (UnB). "Uma das meninas que jogava era minha monitora. Vi que ela praticava o esporte e procurei conhecer um pouco mais. Curti a página do time que ela jogava e o técnico me convidou para começar a jogar", contou.

Conquistas em meio às dificuldades


Mesmo com pouco tempo de fundação, o Brasília Selvagens já se posiciona como uma grande equipe no cenário nacional de Flag Football. Em 2017, as meninas alcançaram o segundo lugar no Circuito Nacional de Flag 5 x 5, organizado pela Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA). Neste mês, a equipe alcançou o terceiro lugar no torneio da modalidade, disputado no mês de novembro em São Paulo.

Ambição também não falta para o time brasiliense. Na próxima temporada, a intenção é colocar as duas equipes de Flag Football (A e B) na Superfinal 2019, trazendo, consequentemente, o troféu nacional para Brasília. A abertura de uma escolinha da modalidade e a remuneração da comissão técnica também estão nos planos. Criar um programa de sócio-torcedor, gerando nova receita, é outra meta da equipe.


As conquistas e sonhos, porém, acabam contrastando com a dificuldade. A falta de patrocínio, muitas vezes, faz com que as contas não fechem. "Apesar disso, a gente se esforça ao máximo para difundir o esporte e fazer as coisas acontecerem. Nossas atletas pagam uma mensalidade simbólica e a temos algumas marcas que acreditam muito na gente e isso faz com que nós consigamos transpor essa adversidade", ressaltou Gabriel Fernández, diretor de Marketing do time.

Outra barreira encontrada, segundo Fernández, é a falta de visibilidade e independência do esporte, principalmente por ele ser bastante associado ao Futebol Americano. "Por esse mesmo motivo, também sofremos com a falta de materiais específicos sobre a modalidade e das posições para estudar, já que a maioria dos conteúdos disponíveis são adaptações do Futebol Americano", apontou, destacando a vontade de trazer os principais campeonatos de Flag para Brasília em 2019.

Em meio aos problemas, as ajudas recebidas são ressaltadas por Gabriel. "Nosso uniforme foi uma parceria com a Petrucci Uniformes. A Doce que Adoça e a Like a Pro Assessoria Esportiva nos ajudam mensalmente. Nossa modalidade não é tão cara, mas os custos de viagem as vezes ficam altos. Nesses períodos vendemos rifas ou pedimos dinheiro para amigos, conhecidos e até no sinal para conseguir custear as competições", frisou.

Seletiva marcada para janeiro


No momento, a equipe está de férias até 20 de janeiro. Quando está em atividade, o Brasília Selvagens costuma treinar em locais públicos. Todo domingo às 9h, por exemplo, a equipe pratica na na Esplanada dos Ministérios. Já nas quartas-feiras, a equipe pode ser encontrada às 19h30 na Funarte. A próxima seletiva de jogadores está programada para 27 de janeiro. Não é preciso ter conhecimento prévio do esporte, já que os instrutores da equipe ensinam tudo.

O esporte


O Flag Football é uma variação do futebol americano que permite utilizar todas as estratégias do jogo sem que haja contato físico direto e nem a necessidade de equipamentos. Apesar de não ter o mesmo contato visto no futebol americano, o objetivo é o mesmo: fazer touchdown. O "gol" do Flag Football e do do futebol americano ocorre quando o jogador cruza alinha de fundo carregando ao bola, entrando na endzone (zona de pontuação) ou quando ele recebe a bola dentro desta área.

As regras básicas também são semelhantes, mas, em vez de derrubar o jogador com a bola ao chão, o defensor deve retirar uma fita (flag) para parar um down. Durante toda a pratica, os jogadores usam um cinto, onde as duas flags estão presas. Nas competições oficias são usadas flags pop-up. Outra diferença entre as modalidades é a quantidade pessoas em cada time, o Flag entra em campo com cinco jogadores na defesa e cinco no ataque, enquanto no futebol americano são 11 em cada um.

Postar um comentário

0 Comentários