A brincadeira de Paulo Lima com o "verdadeira 7x1" foi mostrada ao vivo para todo o mundo e chamou a atenção dos brasileiros
Foto: Arquivo Pessoal/Paulo Lima
Por Danilo Queiroz

A zoeira brasileira ultrapassou fronteiras e chegou à Copa do Mundo da Rússia. No domingo (17/06), durante o jogo entre Alemanha e México, a imagem de um brasileiro com um banner provocando os tetracampeões mundiais no meio da arquibancada do Estádio Olímpico Lujniki, em Moscou, chamou a atenção. No texto, o torcedor com a camisa da seleção brasileira enumera as situações que levam ao "verdadeiro 7x1", onde lista itens em que os brasileiros levam vantagem sobre os alemães. A brincadeira viralizou rapidamente quando a transmissão oficial do jogo  voltou as câmeras para o banner.

O que poucos sabem é que o brasileiro autor da provocação nasceu no Distrito Federal, mais especificamente no Gama. O administrador de empresas Paulo Lima tem 24 anos, torce para o clube da cidade e também foi o responsável por estender uma bandeira da equipe alviverde na mureta atrás de um dos gols do estádio que também abrigará a final do Mundial em 15 de julho. Ao lado de uma bandeira do país sede do Mundial, a imagem do escudo alviverde era facilmente identificada sempre que a seleção mexicana atacava durante o segundo tempo.

"Nasci no Gama e torço pela equipe da cidade do Gama. O que me motivou trazer as camisas e a bandeira do clube na bagagem é justamente o sentimento de representar minhas origens do outro lado do mundo, divulgar a cidade para o mundo inteiro", disse o torcedor gamense em entrevista ao Distrito do Esporte

Na contagem de Paulo, o Brasil vence a Alemanha nas seguintes disputas: entre os pilotos de Fórmula 1 Ayrton Senna e Michael Schumacher, na prática de tomar cerveja gelada ao invés de quente (prática comum na Alemanha), na comparação entre os estádios do Maracanã e Allianz Arena (palco mais tradicional do país europeu), no confronto entre o goleiro pentacampeão do mundo Marcos e Oliver Kahn (arqueiro alemão na final de 2002), na comparação entre Carnaval e Oktoberfest e na disputa entre feijoada e salsicha wurst (tradicional iguaria germânica). O empate entre a preferência por morenas e loiras garante o sétimo "tento" brasileiro e o "gol de honra" alemão.

O brasileiro destacou ainda que ficou surpreso com a repercussão das ações feitas na Rússia. Para ele, as brincadeira com os alemães e a foto com a bandeira gamense na arquibancada ficariam restritos a grupos de Whatsapp de torcedores do alviverde candango. "Foi uma loucura. Recebi várias mensagens de apoio da população da cidade, mesmo de quem não torce pelo time, até porque o nome Gama faz referência a cidade e ao nosso clube local também", ressaltou.

Barreira do idioma quase impediu brincadeira

O banner fez bastante sucesso entre os torcedores brasileiros, que passaram a compartilhar a imagem de forma frenética nas redes sociais. Porém, o torcedor do Gama precisou vencer um verdadeiro desafio para entrar com o cartaz no estádio. Na Rússia, existe um forte esquema de segurança nos arredores das arenas que recebem jogos da Copa do Mundo, sendo que está proibido qualquer tipo de protesto nos locais durante a disputa do Mundial. Devido à isso, toda e qualquer mensagem levada ao estádio precisa de aprovação para ser exposta nas arquibancadas. 

Escrita em inglês, inicialmente a brincadeira não foi entendida pelos seguranças da arena de Moscou, que só falavam russo. "Há um forte esquema de segurança para entrar no perímetro do estádio e da Fan Fest. Foi um pouco complicado passar com o banner, porque eles queriam saber o significado e o contexto. E para explicar isso em russo foi bastante complicado", contou Paulo. A "salvação" só veio quando um torcedor russo resolveu intervir e ajudar o brasileiro. "Ele falava inglês e conseguiu passar a mensagem para os seguranças. Quando eles entenderam caíram na gargalhada e liberaram o acesso", relembrou o gamense.


Além da ajuda do morador de Moscou, Paulo contou que se surpreendeu com a recepção dos russos com os turistas que visitam o país para acompanhar a Copa do Mundo. "O clima aqui em Moscou é de bastante festa entre as nações, todas se respeitando bastante, fazendo muita festa e compartilhando culturas. Aí no Brasil tínhamos uma visão de que os russos eram frios e pouco receptivos, mas o que eu observei aqui, pelo menos nesse período, é que eles amam o Brasil e os brasileiros", contou.

Curtindo a fama entre os europeus e vivendo uma "vida de artista" na Rússia, ele explica a receita para chamar a atenção e ser assediado por qualquer torcedor russo nas proximidades dos estádios da Copa do Mundo. "Somos a nação mais tietada por eles. Basta somente usar uma camisa da seleção brasileira e uma bandeira que já forma fila para tirar foto. Os russos foram bastante receptivos e calorosos", detalhou.

Com ingressos assegurados para mais quatro partidas do Mundial, Paulo não prometeu novas brincadeiras como a feita com a Alemanha com outras seleções, mas garantiu que a bandeira do clube de coração e da cidade onde mora o acompanhará nos estádios de São Petersburgo, Ecaterimburgo e Moscou, locais que ainda visitará nos próximos dias de sua passagem pela Rússia. "Eu irei para um jogo do Brasil (contra a Costa Rica, na próxima sexta-feira - 22/06) e pretendo estar lá com minha bandeira do Gama", garantiu.

Nem mesmo o empate da seleção brasileira diante da Suíça tirou a empolgação de Paulo em estar na terra do Mundial com a possibilidade de voltar ao Brasil com a sexta estrela costurada na camisa. "Estou confiante no elenco desse ano. É um time bem consistente. Não podemos esperar jogo fácil. As seleções estão bastante equilibradas tecnicamente, podemos observar isso no revés da Alemanha, no empate da Argentina", ressaltou.