Último pentacampeão em atividade, Lúcio descarta aposentadoria após Candangão

Douglas Oliveira/ASCOM Gama

Ao estrear em 13 de fevereiro, em amistoso contra o Fortaleza, Lúcio iniciou mais um capítulo na vitoriosa trajetória no futebol. Agora, o zagueiro encara o desafio de defender o Gama, clube que o revelou para o cenário brasileiro, mas no qual nunca tivera a oportunidade de atuar profissionalmente. Último jogador em atividade do grupo pentacampeão mundial pela Seleção Brasileira em 2002, Lúcio tem contrato com o alviverde até o fim do Campeonato Candango. A final do regional está marcada para 7 de abril, no estádio Mané Garrincha.

Prestes a completar 40 anos — faz aniversário em 8 de maio —, Lúcio chuta para longe o assunto aposentadoria e descarta a possibilidade de pendurar as chuteiras depois do término do Candangão. “Eu passei a vida no futebol e viajei o mundo devido a isso. Evito até pensar em parar de jogar bola, porque é uma coisa que dá um choque”, justifica.

Com o claro objetivo de permanecer em atividade por mais tempo, o zagueiro sabe que um novo contrato para o segundo semestre está diretamente vinculado a boas atuações com a camisa alviverde. “Se Deus quiser, vai aparecer alguma coisa após o Candangão. Meu desejo é continuar jogando”, espera Lúcio. A estreia do jogador no torneio local não foi a mais feliz. No domingo passado, o Gama acabou derrotado por 2 x 1 pelo Bolamense, em pleno estádio Bezerrão.

Acostumado a atuar em grande ligas, Lúcio enfrentará um fato novo na carreira: jogar em um clube que tem no calendário apenas a disputa do estadual. Contudo, o zagueiro não se intimida com o desafio de ter poucos jogos para conseguir uma nova camisa para representar no decorrer do ano. Segundo ele, já estava ciente de que passaria por essa situação e encara o momento com naturalidade. “A maioria dos clubes brasileiros tem somente torneios locais no calendário do primeiro semestre. Eu também costumo dar um passo de cada vez e o sentimento é de alegria por voltar ao Gama”, afirma.

Apesar da necessidade de conseguir um novo clube para se manter em atividade, o zagueiro mantém a cabeça no desafio que aceitou quando decidiu voltar ao futebol do Distrito Federal: conquistar o título candango pelo clube alviverde e oferecer mais visibilidade ao futebol local. “O objetivo principal é ajudar o Gama ao máximo. Também torço muito pelo crescimento do futebol de Brasília. Vou me empenhar para fazer um bom campeonato”, comenta.

Preparo físico

Douglas Oliveira/ASCOM Gama

Antes da volta aos gramados pelo alviverde candango, o zagueiro vinha de um período de um ano e dois meses longe dos gramados. A última partida oficial como profissional havia acontecido em 24 de outubro de 2016, pelo Goa FC, da Índia. No amistoso contra o Fortaleza, Lúcio atuou durante os 90 minutos da derrota por 3 x 0 para os cearenses. Na estreia no Candangão, acabou substituído aos 11 minutos do segundo tempo.

O fato de se sentir bem fisicamente é um dos trunfos do jogador para se manter por mais tempo em atividade. Com isso, ele evita estipular uma data para o momento em que irá pendurar as chuteiras e deixar os gramados. “Quero jogar enquanto estiver com saúde, Deus permitir e eu estiver rendendo. Mas poder acompanhar o ritmo de jogo dos companheiros também é importante para decidir”, comenta. “Enquanto eu me sentir bem, quero continuar jogando”, define.

Outro fator primordial para que o zagueiro prolongue o tempo em atividade está na paixão sentida todas as vezes que entra em campo. Para Lúcio, este é um dos fatores primordiais para continuar a carreira como atleta profissional. “Entrar em campo com vontade de jogar sempre é fundamental”, afirma. Porém, uma coisa é certa: o futuro após pendurar as chuteiras ainda continuará relacionado com alguma área ligada ao esporte. “Ainda não tenho nada em mente, mas quero ficar 100% dentro do futebol. Não vou ficar longe”, planeja.

Do Guará para o Inter

Lúcio foi formado nas categorias de base do Planaltina e do Gama. Em 1997, o alviverde emprestou o zagueiro para o Guará, que disputava a Copa do Brasil naquele ano. Em partida contra o Internacional, o futuro pentacampeão mundial chamou a atenção da comissão técnica colorada e acabou fechando contrato com o clube gaúcho. Dali em diante, Lúcio ganhou o mundo.

Inspiração em colegas da conquista de 2002

Os companheiros da maior conquista da carreira de Lúcio podem servir como inspiração para que o zagueiro prolongue a história nos gramados por mais algumas temporadas. Dos 23 atletas convocados por Luiz Felipe Scolari que conquistaram o pentacampeonato mundial da Seleção Brasileira em 2002, cinco penduraram as chuteiras após os 40 anos.

Edílson Capetinha, com 45; Rivaldo, 43; Rogério Ceni e Dida, 42; e Cafú, 40, foram os nomes de maior longevidade nos campos do grupo que disputou o Mundial do Japão-Coreia do Sul. Atualmente, Lúcio está com 39 anos. Ceni, inclusive, reencontrou o zagueiro no amistoso que marcou a estreia do jogador pelo alviverde. Atualmente, o ex-goleiro trabalha como técnico do Fortaleza.

Após a aposentadoria do brasiliense Kaká, aos 35 anos, no fim de 2017, Lúcio se tornou o último jogador do elenco do pentacampeonato ainda em atividade. Pela Seleção Brasileira, ele disputou 106 jogos, entre 2000 e 2011. No currículo do zagueiro, está a participação em três Copas do Mundo: 2002, 2006 e 2010 — na qual foi o capitão do time comandado pelo técnico Dunga.

O ex-meia Zé Roberto, que se aposentou aos 42 anos, jogando em alto nível pelo Palmeiras, também é outra referência para Lúcio. Os dois jogadores fizeram grande amizade quando atuaram juntos na Alemanha, pelo Bayern de Munique, no final dos anos 1990. Foi o auge da carreira da dupla, com a conquista de importantes títulos também pela Seleção Brasileira. Bons tempos, difíceis de se repetir.